Carlos Bratke Ateliê de Arquitetura

Edifício Ronaldo Sampaio Ferreira, São Paulo-SP
 
Recuo, planos inclinados e cores valorizam espaço público
 

O arquiteto Carlos Bratke optou por implantar o edifício Ronaldo Sampaio Ferreira nos fundos do terreno, localizado diante de uma praça na avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Com o recuo, a ampliada área frontal assegurou distância de mais de 50 metros entre a avenida e a edificação. A reentrância da fachada, trabalhada com vidros em planos inclinados e de diferentes cores, acentua ainda mais o afastamento.

Na região já foram construídos mais de 50 prédios de autoria de Carlos Bratke. O edifício é valorizado pela praça frontal, que ameniza os desconfortos decorrentes da localização em via de tráfego intenso - e com a vantagem extra de proporcionar boa área verde junto do acesso.

Para dar melhor aproveitamento a essas condições favoráveis, Bratke optou por implantar o prédio nos fundos do lote de quase 3 mil metros quadrados, ampliando ainda mais a distância até a avenida.

O próprio desenho da fachada principal reforça essa noção de recuo ao estabelecer planos inclinados que formam grande reentrância, acentuada pelo uso de vidros de diferentes tonalidades - azul na superfície central e prata nas laterais. A partir do 11º pavimento, a fachada inclina-se, formando a projeção de quatro metros que se reflete em pequena variação na largura das lajes.

A composição é arrematada pela moldura em granito que acentua a verticalidade do prédio. Esse mesmo material reaparece no portal do acesso principal e no acabamento dos pilares - peças assemelhadas a um L em que o ângulo reto é um pequeno vão fechado por vidro chanfrado.

Corte Longitudinal

O térreo tem 6,50 metros livres de pé-direito e é complementado pelo mezanino, onde
funcionam setores administrativos do prédio. No total são 14 pavimentos-tipo, com áreas de laje variando de 761 a 847 metros quadrados, que podem ser ocupados por uma ou duas empresas.

Alinhado com a fachada oeste, o core concentra, além de sanitários e caixas de circulação vertical, as salas técnicas com acesso pelo hall do elevador, de modo que inspeções ou manutenções não atrapalhem o funcionamento dos escritórios. Para permitir instalar banheiros nas quinas, a estrutura de concreto apresenta reentrância para a tubulação, oculta por placa de gesso.

Na cobertura funciona o centro de convenções, com auditório para 200 pessoas e salas para eventos menores. Acima dela encontra-se o heliponto.

Construído com vigas e lajes protendidas de concreto de alto desempenho, o prédio dispõe de variados recursos tecnológicos, incluindo sistema central de aspiração de pó e ar condicionado, um sistema multi-split em que o condensador pode ficar até 50 metros acima da unidade evaporadora.


Texto resumido a partir de reportagem
de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 283 Setembro de 2003

 
Croquis ilustrativo do edifício
 
Vidros chanfrados fecham os vãos formados entre os pilares
 
Uma rua estreita e pouco movimentada
separa o prédio da praça
 
O portal em granito polido e a porta principal recuada
criam a zona de transição entre o interior e o exterior
 
   
O uso de vigas e lajes protendidas possibilita grandes áreas nos pavimentos, livres de pilares

Ficha Técnica
Edifício Ronaldo Sampaio Ferreira
Local
São Paulo, SP
Área do terreno
2 927 m2
Área construída
22 272 m2
Projeto
1999
Conclusão da obra
2003
Arquitetura
Carlos Bratke
Ateliê de Arquiettura -
Carlos Bratke
(autor);
João Belo e
Denise Ferrari
(colaboradores)
Luminotécnica
Ana Moraes
Paisagismo
Martha Gavião
Comunicação visual A6 Design
Esquadrias de alumínio
Mário Newton Leme (consultoria)
Fundações
Apoio
Estrutura
Aluízio D’Ávila
Instalações
Prolux
Ar condicionado
Engetherm
Automação predial
Johnson Controls
Heliponto
Dumont
Impermeabilização
Proassp
Construção
Classe Engenharia
Fotos
José Moscardi Jr.

 

Fornecedores
Gerdau (aço); Pilkington (vidros laminados); Itefal, Ferromão, Sincol (esquadrias); Atlas Schindler (elevadores); Dorma (ferragens e portas automáticas); La Fonte (ferragens); Tate (piso elevado); Plurigoma (piso emborrachado); Hunter Douglas, Placo (forros); Granimar (granitos); Lumicenter, CBS/Simes, Schréder, Stock (luminárias); Ideal Standard, Deca (louças sanitárias); Docol (metais sanitários); Neocom (divisórias sanitárias); Starinox (itens de aço inoxidável); Incoper (portas corta-fogo); Day Brasil, Daykin (equipamento de ar condicionado); Itacolomy (mosaicos da calçada); Rotula/Metalúrgia Rota (corrimão das escadas); Floraliz (paisagismo); Wood Made (marcenaria); Imbras, Denver (impermeabilização); Siemens (disjuntores); Pirelli (fios e cabos)

Fuente: Revista Projeto Design nº423 -Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 283 Setembro de 2003