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Da base ao topo, o edifício
Comendador Yerchanik Kissajikian (CYK) tem sua fachada
com ângulo de inclinação em planta
que avança 15 centímetros para a área
externa a cada andar. Esse escalonamento, aliado
ao desenho em vértice no centro da fachada, destaca
a volumetria diferenciada.
Área de grande adensamento urbano, onde são
raros os terrenos disponíveis para novas construções,
a avenida Paulista é o endereço
do novo edifício. O programa apresentado pelos
empreendedores teve como proposta a construção
de um edifício com área de laje em
torno de mil metros quadrados, que se destacasse
no skyline da avenida.
O terreno escolhido, localizado no número 901,
tem também acesso pela alameda Santos, compondo
uma configuração inusitada em seus 109
metros de extensão. Sua largura de 32 metros,
no lado voltado para a avenida Paulista, aumenta gradativamente
até atingir 51 metros, na outra ponta, na alameda
Santos. Tem ainda um desnível médio de
6,15 metros entre as duas vias.
Em vez de impor limitações, as características
do terreno estimularam o desenvolvimento do projeto
arquitetônico. Para atender às exigências
da legislação, no que se refere aos
limites de altura e recuos laterais, o desenho propõe
um escalonamento nos 19 andares do edifício,
aumentando sua área de laje - em média
de 1 350 metros quadrados - do térreo até
o último pavimento, nas faces voltadas para as
duas vias.
A variação de dimensão de lajes
entre o térreo e o último piso é
de 2,5 metros, compondo um plano inclinado que avança
para a área externa 15 centímetros a cada
andar.
Tirando partido desses elementos, o projeto concebeu
duas áreas de acesso independentes. Protegida
por uma marquise metálica, a entrada principal,
voltada para a avenida Paulista, conduz ao hall
da torre de escritórios, que se configura como
amplo espaço com pé-direito duplo.
O acesso pela alameda Santos leva ao estacionamento,
em quatro subsolos, e ao conjunto comercial, implantado
em dois níveis - no piso Paulista e em sobreloja
- sobre uma grande base definida por vigas curvas de
concreto revestidas com massa texturizada.
Essa área comporta terraços que desenvolvem
planos a 45 graus, ajardinados. Na base se encaixa
a torre de vidro, que mantém a mesma linguagem
nas fachadas voltadas para as duas vias, enquanto nas
empenas laterais utiliza como elementos de composição
o conceito de fachada-cortina associado ao uso de grelhas
com caixilhos fixos.
Fachadas inclinadas
A volumetria das fachadas-cortina é definida
por seu ângulo de inclinação
conjugado a outro recurso proposto pelo projeto arquitetônico,
que produz um desenho em vértice, criando uma
reentrância em sua área central. Perfis
tubulares de alumínio descrevem linhas horizontais,
causando a sensação visual de alongamento
do edifício.
Da base ao topo do prédio, o ângulo de
inclinação em planta é de dois
graus para o lado externo, característica
que exigiu o desenvolvimento de um formato especial
para os caixilhos e os quadros de vidro, segundo o consultor
Mário Newton Leme. Para manter os perfis
em nível, foi necessário criar um ângulo
diferenciado nas partes superior e inferior dos quadros.
Construídas com o sistema unitized, as
fachadas-cortina possuem dupla vedação
com gaxetas de EPDM entre montantes, na vertical e na
horizontal, para obter maiores níveis de estanqueidade.
Devido à inclinação da fachada,
foi necessário prever um esquema especial para
içamento e instalação dos painéis,
que medem 1,25 x 4 metros.
Esse equipamento ficava, no máximo, dois pavimentos
acima do andar que estava sendo trabalhado, evitando,
assim, que os painéis se deslocassem para fora,
quando içados. Em obras com fachada no prumo,
o equipamento é colocado cinco ou seis andares
acima.
Um protótipo da fachada-cortina foi submetido
a ensaios de cargas de vento e estanqueidade,
com parâmetros acima da norma (vento de até
80 km/h), na câmara de testes da Afeal.
Os perfis tubulares decorativos, que fazem marcação
horizontal na fachada, têm forma semi-elíptica
e modulação de 2,5 metros. Foram dimensionados
com 11,5 centímetros de altura e sete centímetros
de largura e estão encaixados numa aba existente
no perfil do caixilho, que dispõe de regulagem
especial de ajuste, para se adequar à angulação
da fachada.
Os mesmos perfis tubulares foram utilizados para compor
o coroamento do edifício. Fixados em estrutura
metálica, eles formam um elemento decorativo
que se destaca, à noite, pelo sistema de iluminação
especial. Esses elementos metálicos são
modulados a cada 50 centímetros entre si até
o topo, formando uma caixa que protege visualmente a
infra-estrutura instalada na cobertura.
Caixilhos entre vãos
As empenas laterais também são
valorizadas pelo desenho diferenciado, que mescla duas
concepções: a repetição
do conceito de fachada-cortina com vidro laminado azul
de dez milímetros e a utilização
de sistema de grelhas de granito branco polar e caixilhos
entre vãos, com vidro na cor prata.
A modulação em grelhas se desenvolve
do nível térreo da Paulista até
o piso do 16º andar. A partir daí, até
o coroamento do edifício, as empenas laterais
recebem fechamento com sistema de fachada-cortina.
Os caixilhos entre vãos, com 2,5 metros de largura
e 2,8 de altura, foram concebidos com quadros fixos;
o vidro faceia as placas de granito pelo lado externo.
Cada vão recebeu dois painéis de vidro
na largura e três na altura.
Os recursos utilizados para garantir a vedação
e a estanqueidade do conjunto incluem a aplicação
de manta de silicone em dois pontos considerados
críticos: na parte superior do quadro, entre
a esquadria e a estrutura de alvenaria do edifício,
e na parte inferior, no encontro das colunas com o marco.
Entre a esquadria e a grelha de granito foi feita vedação
com silicone em todo o perímetro.
Também foram aplicados nos quadros de vidro dois
níveis de vedação com gaxetas de
EPDM com os cantos vulcanizados.
Prazos
O edifício foi construído em 18 meses,
prazo considerado relativamente curto para um empreendimento
comercial de alto padrão. Além disso,
o cumprimento do cronograma estava atrelado a questões
operacionais, como a localização em região
de tráfego intenso, que tem horários limitados
para a circulação de caminhões,
segundo Marcos Silva, gerente de contrato da
UN Induscred, responsável pelo empreendimento.
Vencido o desafio da etapa de execução
da estrutura, a equipe teve de atender ao prazo igualmente
rigoroso para concluir as fachadas de vidro e granito
e acabamentos internos.
Nessa fase, buscaram-se soluções que garantissem
a otimização do serviço, como a
utilização de inserts de aço
inoxidável para a fixação das
placas de granito de 2,5 centímetros de espessura
e a escolha do sistema unitized para a execução
das fachadas-cortina.
Tecnicamente, o edifício atende ao que o mercado
convencionou chamar hoje de triple A, ou seja,
dotado de infra-estrutura técnica de última
geração para receber empresas de grande
porte, de segmentos variados.
Para garantir a flexibilidade na ocupação
dos espaços - outro item importante nesse tipo
de empreendimento - foram definidos em projeto pontos
nas lajes preparados para receber escadas, possibilitando
a comunicação privativa entre andares.
Em cada pavimento, o conjunto de elevadores, escadas
e serviços é centralizado.
Além de materiais de alto padrão, o edifício
é equipado com sistema de ar condicionado
central por termoacumulação, automação
predial que controla câmeras de vídeo,
catracas de acesso de pedestres, cancelas na entrada
de veículos, iluminação e equipamentos
contra incêndio, oito elevadores comuns e um de
emergência que atendem a todos os pavimentos,
além de dois equipamentos hidráulicos
para acesso aos subsolos e térreo da avenida
Paulista.
Texto resumido a partir de reportagem
de Cida Paiva
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 34 Julho de 2003
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