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O edifício Berliner Bogen cobre a
extremidade do canal de contenção de enchentes que
atravessa por quilômetros o centro da cidade de
Hamburgo, sugerindo a imagem de um portal em
arco, com 140 metros de extensão e 36 de altura. Sua
estrutura apóia-se nas margens do canal. A fachada
frontal abre-se para a praça Anckelmannsplatz,
importante ponto de cruzamento viário, e a
posterior debruça-se sobre as águas.
A
Alemanha está no topo da lista de países europeus
que defendem a implantação de edifícios econômicos no
consumo de energia. O projeto arquitetônico do edifício
atende plenamente a esse conceito, ao propor a
construção de um prédio bioclimático, em
que o conforto ambiental é garantido por dupla pele de
vidro e pelo aproveitamento da geometria da edificação.
A criação de um sistema de energia regenerativa
minimiza o consumo e a utilização de sistemas de
aquecimento e de condicionamento do ar.
Arcos
de aço, em forma de grandes parábolas, compõem a
estrutura do edifício. Este se desenvolve a partir de um
eixo longitudinal de onde se ramificam oito
volumes de escritórios, de formato trapezoidal, e vazios
que compõem grandes átrios de acesso para os blocos,
ligados diretamente à circulação principal. Sobre esse
corpo foi instalada a pele de vidro transparente,
que permite a entrada de luz natural nos
átrios.
A composição possibilitou a criação de
jardins de inverno, que, como interface climática
entre o interior e o exterior do prédio, promovem
equilíbrio entre natureza e ambientes de trabalho. O
sol atravessa a pele de vidro e banha flores,
arbustos e pequenas árvores, que favorecem o microclima
interno.
Além das vantagens bioclimáticas,
os jardins de inverno oferecem nova modalidade para a
ocupação do prédio, servindo para a realização de
exposições, coquetéis e outros eventos. O trajeto por
essas áreas internas tem início em uma larga ponte
que conduz ao primeiro átrio, ponto inicial do eixo
longitudinal que culmina em um terraço flutuante,
sobre o canal.
Segunda
pele Utilizando-se modelos de
simulação, foram definidas as dimensões de aberturas
dos caixilhos e o posicionamento do ângulo de inclinação
da pele de vidro, em função das variações climáticas. No
verão, a dupla pele controla a entrada do calor,
enquanto o sistema de aquecimento e resfriamento nas
lajes de concreto aparente promove equilíbrio
climático.
A proteção externa, de 15 mil
metros quadrados de vidro, em forma de parábola,
forma a primeira barreira. Está fixada sobre estrutura
metálica e vigas de aço em arco, que sustentam as lajes
dos pavimentos.
A segunda pele foi determinante
para garantir a eficiência do conceito low-tech
do projeto. É nela que estão instaladas todas as
esquadrias de alumínio - portas e janelas de correr, da
linha Schüco RS120, desenvolvidas no sistema unitized,
com alturas dos painéis variando entre 2,70 metros e
três metros.
Sobre as
águas No acesso norte do prédio - a
entrada principal -, é possível avistar, a partir da
praça Anckelmannsplatz, uma imagem em que o edifício
parece flutuar sobre a água. Em frente, a antiga
estação de bombeamento da cidade foi substituída por uma
construção transparente em forma de cubo. Ela abriga um
sistema multimídia que fornece informações sobre suas
interligações com o sistema central de saneamento básico
de Hamburgo.
A construção em arcos de aço do
Berliner Bogen suporta toda a sua superestrutura,
sem descarregar esforços sobre o reservatório de
contenção e suas instalações hidráulicas. Abaixo do
primeiro subsolo do edifício, que abriga áreas para
depósitos, casas de máquinas, centrais técnicas e 190
vagas de estacionamento, foi construído um reservatório
de contenção de águas pluviais para o departamento de
saneamento básico. Esse subsolo se encontra
aproximadamente sete metros abaixo do nível da
água.
Texto resumido a
partir de reportagem de Cida
Paiva Publicada originalmente em
FINESTRA Edição 35 Dezembro de
2004 |